No romance, a protagonista Iracema, uma índia, se apaixona por Martim, um português. Juntos eles têm um filho, Moacir, considerado o primeiro brasileiro, fruto do amor entre uma colonizada e um colonizador. O livro Iracema pertence ao Indianismo (fase do Romantismo Brasileiro).
Descrição do livro
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No romance, a protagonista Iracema, uma índia, se apaixona por Martim, um português. Juntos eles têm um filho, Moacir, considerado o primeiro brasileiro, fruto do amor entre uma colonizada e um colonizador. O livro Iracema pertence ao Indianismo (fase do Romantismo Brasileiro).
Descrição do livro
A virgem tabajara Iracema apaixonou-se por Martim, um colonizador português. Entre guerras e conflitos, ciúmes e disputa de poder, a história desse amor proibido tem como pano de fundo a cultura indígena, com seus deuses e mitos, a miscigenação do branco com o índio e o surgimento de um novo país numa terra fértil.
Resumo
Iracema é uma índia, filha do pajé Araquém, nascida e criada em uma tribo nos campos dos Tabajara. A jovem vigiava as florestas até um dia atacar aquele que pensava ser um invasor.
Quem recebeu a flechava foi Martim, um aventureiro português.
Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo. Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido.
Culpada por ter disparado a flecha de modo precipitado, Iracema imediatamente socorre Martim e o leva para a tribo para tratar dos ferimentos.
Como Martim oferece ajuda à Araquém, pai de Iracema, para defender a tribo, ambos criam uma relação estreita e o pajé propõe, em troca da proteção, mulheres e hospedagem. Martim não aceita as mulheres que lhe são oferecidas porque só tem olhos para Iracema.
Teoricamente nada impediria o casal composto por uma índia e por um português de ficar junto, exceto o fato de Iracema deter o segredo de Jurema, o que faz com que ela precise se manter virgem.
Martim e Iracema se apaixonam e passam a viver um amor proibido, migrando para uma cabana afastada da tribo. O resultado desse amor surge após alguns meses: nasce Moacir, longe da tribo.
O romance entre o casal, no entanto, não dura muito tempo. Martim dá sinais que sente falta da sua terra e Iracema percebe que sente saudades do seu povo.
Ao final do romance, Iracema morre e Martim leva o pequeno Moacir para viver em Portugal.
Personagens
Iracema É filha do pajé Araquém, nasceu e se criou nos campos dos Tabajaras. Fisicamente Iracema é descrita como "a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira".
Martim Valente, Martim é um explorador português que vem para o Brasil ainda pouco conhecido, apenas povoado por algumas tribos indígenas. Ao conhecer a índia Iracema, imediatamente se apaixona por ela.
Moacir É o filho do casal Iracema e Martim. Iracema dá a luz a Moacir sozinha, enquanto Poti e Martim saem para uma batalha. Depois da morte da mãe, Iracema, Moacir é levado pelo pai para viver em Portugal.
Poti O guerreiro Poti é amigo fiel de Martim. A amizade entre os dois é tão forte que Poti abandona a tribo e se muda para a cabana distante a fim de viver com o casal e ajudar o amigo.
Curiosidades em torno do livro
Há quem diga que o nome Iracema é um anagrama de América.
Iracema foi publicado em 1865 e inicialmente possuía o subtítulo "Lenda do Ceara".
Sobre José de Alencar
Nascido no Ceará, o escritor bebeu muito na cultura local para escrever Iracema. José Martiniano de Alencar nasceu em Mecejana, atualmente zona incorporada ao município de Fortaleza, em 1º de maio de 1829. Estudou no Rio de Janeiro, onde cursou o ensino elementar e secundário, e em São Paulo, onde se formou em Direito.
Exerceu a função de advogado embora tenha transcendido os muros do direito: foi jornalista, orador, crítico teatral, escritor e político. Chegou a ser deputado e ministro da Justiça.
Ocupou a cadeira número 23 da Academia Brasileira de Letras por escolha de Machado de Assis.
Morreu jovem, com apenas quarenta e oito anos, de tuberculose, no dia 12 de dezembro de 1877.
Corrente literária
O Indianismo foi uma das fases do Romantismo. Durante esse período procurou-se voltar ao passado, à gênese do povo brasileiro, evocando o nacionalismo e exaltando as belezas naturais do nosso país.
O movimento romântico preconizava uma fuga da realidade, considerada sem graça e entediante. Nesse sentido foi muito interessante a solução que o movimento encontrou: voltar os olhares para o índio como uma figura idealizada. Nesse contexto o índio se transformou em uma espécie de herói nacional.
Iracema pertence a chamada trilogia indianista de José de Alencar. Os outros dois romances que acompanham Iracema são O Guarani (1857) e Ubirajara (1874).
Resumo e análise do livro Iracema
A narrativa de Iracema estrutura-se em torno da história do amor de Martim por Iracema. Diferentemente do que ocorre em outros romances de José de Alencar, como em O Guarani, o enredo de Iracema é aberto a interpretações. A relação entre Martim e Iracema significa a união entre o branco colonizador e o índio, entre a cultura europeia, civilizada, e os valores indígenas, apresentados como naturalmente bons. É uma espécie de mito de fundação da identidade brasileira. Ainda menino, Alencar fez uma viagem pelo sertão. A experiência dessa viagem de garoto seria constantemente evocada pelo futuro escritor em seus romances, com imagens e impressões da exuberante natureza brasileira. Alguns espaços merecem destaque por ser palco de importantes acontecimentos desse romance: o campo dos tabajaras, onde fica a taba do pajé Araquém, pai de Iracema; a taba de Jacaúna, na terra dos potiguaras (ou pitiguaras); a praia em que vivem Martim e Iracema e onde nasce Moacir. Uma das grandes habilidades de Alencar está em representar o pensamento selvagem por meio de uma linguagem cheia de imagens e de metáforas. Sabe-se que as sociedades que não avançaram no terreno da lógica argumentativa (que pressupõe noções científicas básicas) têm em contrapartida grande riqueza no plano mitológico. Elas se valem dos mitos e das histórias para explicar o mundo. O pensamento do selvagem é imagético e, por isso, está muito próximo da poesia. Vê-se nesse ponto como o autor soube unir forma e conteúdo. De outro modo seria difícil caracterizar a linguagem do índio sem prejuízo da verossimilhança.
Contexto histórico da obra
A obra foi escrita e publicado em 1865 e trazia o subtítulo de Lenda do Ceará. Seu autor, José de Alencar, era cearense de origem. Ele confessava, em carta, que havia se inspirado em uma lenda que ouvira quando criança sobre como surgira o “primeiro cearense” para criar sua obra.
O Brasil vivia então o auge da euforia nacionalista que se iniciara com a independência em 1822 e tomara corpo com a implantação da estética romântica, oficialmente, a partir de 1936. Os escritores românticos, tanto da prosa quanto da poesia, assimilaram os ideais nacionalistas do romantismo europeu e os adaptaram as condições peculiares de nossa realidade.
Surge então a chamada “cor local”, particularidade específica do romantismo brasileiro que consiste em valorizar a nossa natureza tropical, a nossa linguagem impregnada de influências de dialetos africanos e expressões indígenas e a idealização do índio, que era elevado a condição de herói, nos moldes dos cavaleiros medievais europeus.
Destaca-se como a principal produção deste período na busca de uma identidade nacional nos moldes da “cor Local” do nosso nacionalismo romântico.
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